Igreja Matriz



O antigo e magno templo da Cidade de Lagoa destaca-se ao longe de entre o casario e terá sido ele que consolidou a comunidade cristã no início do povoamento pós-muçulmano, no século XIII.

A sua referência mais antiga é a porta existente sob a torre, em arco de volta redonda com interessantes capiteis. Será um provável testemunho da construção original que se manteve até hoje, à qual se atribui traços góticos, mas que também tem sido considerada manuelina, do século XVI.

A igreja sofreu transformações ao longo dos tempos, muitas das quais foram determinadas por sucessivas reconstruções que os diversos terramotos exigiram. O maior de todos e que ficou eternizado na História de Portugal foi o de 1755, que arrasou toda a Vila, tirando a vida a muitas pessoas e destruindo inúmeros edifícios. Mas, em menos de um século, a igreja estava novamente de pé, reparada e bonita. Terminada a sua restauração, o templo foi sagrado a Nossa Senhora da Luz e ganhou a sua torre sineira, concluída cerca de 1823.

Exteriormente, a matriz é dominada pela imponência da fachada, com a sua porta principal. Interiormente, é composta por 3 naves, separadas por dois conjuntos de quatro colunas. A nave central tem o altar mor à cabeça; à cabeça das naves laterais ficam os altares do Santíssimo e do Senhor dos Passos. Os altares expõem um riquíssimo recheio artístico, aliás como todo o templo, incluindo dependências, em peças sacras que vão desde o século XIII (iluminuras) até ao século XIX. Todos os retábulos dos altares, em talha dourada de um barroco simples e rural, até às influências neoclássicas, datados dos séculos XVIII e XIX, são deslumbrantes, quer pela simplicidade, quer pelo toque artístico. À cabeça, na capela mor, encontramos a imagem da Senhora da Luz, do século XVIII, atribuída a Machado de Castro, que sai à rua uma vez por ano, no dia 8 de Setembro na festa em que Lagoa chamou para si o feriado municipal; em procissão é essa imagem carregada aos ombros pelas ruas da Cidade.

Nos diversos altares barrocos e neoclássicos, nos nichos, no coro alto, na sacristia, no cartório, no salão de reuniões,  encontramos outras peças sacras, imagens e estátuas - geralmente talhadas em madeira e roca - paramentos, pratas, arcaz, folhas de iluminura. Dentro da cronologia estipulada, as imagens são as seguintes: Jesus morto, Sant'ana, Santo António, S. José, Anjos, Arcanjo S. Miguel, Crucifixo, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Rosário, Santa Ifigénia, Santa Teresa de Ávila, S. Brás, S. Francisco, S. João Baptista, S. João Evangelista, S. Joaquim, S. Pedro, S. Sebastião, Senhor Crucificado,  Senhor dos Passos, relicários, Menino Jesus, Nossa Senhora da Soledade, S. João Evangelista.

Algumas destas imagens ocupavam os altares da antiga Capela de Nossa Senhora do Pé da Cruz, já desaparecida, cujas instalações foram ampliadas para a edificação dos actuais edifícios da Câmara Municipal. Dessas imagens destacam-se as de Nossa Senhora das Dores, Jesus Morto, S. Francisco e S. José.